31 agosto 2005

Esses dias...

Primeiro Andar
Rodrigo Amarante
já vou... será? eu quero ver, o mundo eu sei não é esse lá. por onde andar? eu começo por
onde a estrada vai e não culpo a cidade, o pai. vou lá andar. e o que eu vou ver?
eu sei
lá.
não faz disso esse drama, essa dor! é que a sorte é preciso tirar pra ter. perigo é eu me
esconder (em você). e quando eu vou voltar? quem vai saber...
se alguem numa curva me convidar
eu vou lá
que andar é reconhecer,
olhar.
eu preciso andar
um caminho só,
vou buscar alguém
que eu não sei quem sou.
eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você.
guarde um sonho bom pra mim.

Para o meu amor sempre triste

Sapato Novo
Marcelo Camelo
(...) - bem, como vai você? levo assim calado
de lá tudo que sonhei um dia
como se a alegria recolhesse a mão
pra não me alcançar
Poderia até pensar que foi tudo sonho
ponho meu sapato novo e vou passear
sozinho, como der, eu vou até a beira
besteira qualquer nem choro mais
só levo a saudade morena
é tudo que vale a pena

27 agosto 2005

Filhos, filhotes...

- Olha o que trouxe pra você!
- Que lindo!! Vem cá, gracinha!Você já deu nome?
- Não, trouxe pra você, é seu.
- Eu acho que não vou poder ficar com ele... ele ou ela?? Péraí, ele.
- Vai sim, não tem problema.
- Como você sabe??
- Eu já vi tudo com a síndica, ela disse que não tem restrições, só se ele começar a latir muito e incomodar os vizinhos.
- É, os vizinhos.
- Mas você tem vizinhos com cães e aqueles latem muito, você sabe.
- Ai, tadinho, ele vai ficar o dia todo sozinho!
- A maior parte dos cachorros fica grande parte do dia sozinhos.
- Mas nesse apto micro?? Coitado!
- Você vai ter que ensiná-lo a fazer tudo na rua e vai ter quer sair para passear todos os dias!
- Amei ele!
- Gostou mesmo? Tá feliz?
- Muito, te amo. Mas...
- Mas o quê??
- Ração, caminha, espaço, vacinas, potinhos, coleira anti-pulgas...
- Agora você arrumou um filho!
- Eu não, nós.

22 agosto 2005

Um corte novo

Ficar triste e cortar o cabelo, pintar, parar de chorar e esquecer (ou deixar escondido).
Era o que fazia, conseguia fazê-lo e ficava bem.
Um tempo depois parou de funcionar, não me deu vontade nem de consertar a monocelha, mas eu tentei, saí para caminhar, vi que não seria o corte novo que me faria bem desta vez.
Dormi...
- Acorda! Não se deixe abater tanto tempo.
E eu senti medo, mas ele está comigo. Ficarei bem, ficaremos bem.

04 agosto 2005